Uma enzima envolvida nos processos de dano do DNA, chamada EYA3, contribui para alterações estruturais nos vasos sanguíneos pulmonares e para a progressão da hipertensão pulmonar (HP), de acordo com um estudo realizado em pacientes e ratinhos.
Um estudo publicado na revista Nature Communications, liderado por investigadores do Cincinnati Children's Hospital Medical Center, sugere que o bloqueio do EYA3 pode ser um tratamento eficaz para pessoas com esta doença.
A HP é caracterizada por alterações na estrutura dos vasos sanguíneos pulmonares - um processo chamado remodelação vascular - e na constrição dos vasos sanguíneos, afetando o fluxo sanguíneo.
Os vasodilatadores são a primeira linha de tratamento para estes pacientes, uma vez que ampliam os vasos sanguíneos e facilitam o fluxo sanguíneo. Porém, à medida que a doença progride, a vasoconstrição torna-se menos importante e a remodelação vascular passa a ser o fator problemático predominante. "A reversão da remodelação e, portanto, a restauração da estrutura e função vascular é o objetivo terapêutico que ainda não foi alcançado", segundo os investigadores.
Danos no DNA, alterações no controlo desses danos e inflamação crónica são as principais características moleculares da hipertensão arterial pulmonar (HAP). No entanto, as células vasculares pulmonares podem resistir aos mecanismos de morte celular e proliferar mais do que o normal, sugerindo que a inibição da reparação de danos no DNA pode ser uma forma de prevenir a HAP.
Nesse sentido, os investigadores estudaram o papel do EYA3 na progressão da HP. Esta enzima é um importante regulador da reparação de danos no DNA e tem sido explorada como potencial alvo terapêutico no cancro, no qual a evasão da morte celular e a proliferação excessiva também são características marcantes.
Os resultados mostraram que os níveis de EYA3 eram aproximadamente 2 a 4 vezes mais altos nas células do músculo liso arterial pulmonar (PASMCs) de pacientes com HAP idiopática, em comparação com controlos saudáveis. Amostras de tecido pulmonar de pacientes com HP também mostraram que os níveis de EYA3 eram mais altos nas células do músculo liso localizadas em redor dos vasos sanguíneos pulmonares.
Embora a atividade de EYA3 possa promover a sobrevivência de células quando há danos no DNA, impedindo assim a morte dessas células, o bloqueio da atividade da enzima com benzarona foi associado à menor sobrevivência de PASMCs in vitro após danos causados no DNA. Em ratinhos-modelo de HP, a benzarona também reduziu a pressão sistólica e a hipertrofia (aumento) do ventrículo direito, duas características da HP. É importante salientar que o tratamento de ratinhos com HP com benzarona reduziu a espessura das paredes das artérias pulmonares e reverteu a proliferação de células vasculares pulmonares nos ratos doentes. Da mesma forma, ratinhos transgénicos com uma mutação que inativa a enzima EYA3 estavam protegidos da remodelação vascular.
Em conjunto, estes resultados sugerem que a enzima EYA3 "apoia a sobrevivência e a proliferação de células vasculares pulmonares e promove a remodelação vascular" num modelo experimental de HP. "A nova via molecular descrita pelo nosso estudo pode ter como alvo o desenvolvimento de terapêuticas eficazes para a doença", disse Rashmi Hegde, o investigador principal do estudo.
Fonte: Pulmonary Hypertension News